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Dia das Mães sem culpa
10 de maio de 2019
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Realizei o sonho da maternidade há oito anos com o nascimento da Beatriz. Cinco anos depois, veio o João Antonio para deixar a nossa família ainda mais completa. Com eles, vieram muitos sentimentos maravilhosos e outros nem tanto. Neste artigo, vou falar de um deles: a culpa.

NASCIMENTO DA BEATRIZ

Ela nasceu às 6h da manhã do dia 16 de novembro de 2010. As 18h, a pediatra veio no quarto nos visitar. A Beatriz estava chorando muito. A minha mãe dizia que era fome, a minha sogra dizia que era cólica e eu sentia culpa por não saber entender o que a minha filhinha de 12 horas de vida queria me dizer.

Naquele momento a pediatra me perguntou se eu havia almoçado. Contemplei-a com um olhar que dizia: “almoçar, como assim? A senhora deve estar louca e surda. Minha bebê está aos prantos e você me pergunta se eu comi?”.

Claro que não falei isso, mas juro que pensei. Então respirei e respondi que não havia almoçado por que a minha princesinha estava chorado. Neste momento, a médica pegou a Beatriz do meu colo e a entregou para as avós. Depois, sentou-se ao meu lado na cama, segurou a minha mão e disse: “se você não se cuidar e não se alimentar, não terá tranquilidade para transmitir amor a ela, seu leite não irá descer e a sua ansiedade será ainda maior”.

Ainda apertando a minha mão, complementou “se você estiver bem, ela estará bem. Então, primeiro você. Depois ela”. Naquele momento, senti muita paz, amor e me alimentei. Junto com a comida sentia a minha alma se tranquilizar e a culpa foi se dissipando. Ali aprendi que amar a minha filha não significa abrir mão de mim.

Muito antes pelo contrário. Sempre brinco que a minha “culpa materna” durou 12 horas. A conversa com a doutora foi libertadora.

NASCIMENTO DO JOÃO ANTONIO

Muito se engana quem acredita que ter dois filhos é a soma de um mais o outro. É a multiplicação de um por uns cinco. Ao menos foi assim por aqui. Lembro da tarde que cheguei do hospital com o João recém nascido. Fiquei em casa com ele e com a Beatriz. Meu marido foi trabalhar. Era tanta coisa para fazer, fralda para trocar, peito para dar, brincar com a maior, dar colo para o menor… nenhuma novidade para quem já tem dois filhos, mas para mim era tudo novo….

Então a minha filha, na altura com cinco anos, me olhou e disse: “mamãe, deve ser difícil ser mãe de duas crianças, né?!” Ao escutá-la” e responder que “sim, é difícil”, parei. Parei e me escutei. Parei e me dei conta que novamente a minha vida tinha mudado de verdade. E ali, naquele instante, me perguntei: “o que eu quero fazer com isso? Como quero que meus filhos me percebam?”. Lembro que de novo olhei para ela, soltei o bebê no carrinho, peguei ela no colo e a enchi de beijos e a agradeci.

Ela me perguntou: “por que tu estas me agradecendo, mamãe?”. E eu respondi: “por que tu és e sempre serás a minha princesa”.

CARREIRAS: mãe, esposa e trabalhadora!

Compreendo quem decide abandonar a carreira para dedicar-se integralmente os filhos. Tenho várias amigas que optaram por esse modelo e são super felizes. Também entendo aquelas que optam por abrir mão da maternidade por razões profissionais ou pessoais. Afinal, somos protagonistas da nossa vida e isso é sinônimo de pagar o preço das nossas escolhas.

O caminho que eu tracei foi o de “equilibrar” os papéis de mãe, esposa e profissional. E continuar realizando o meu PROPÓSITO profissional: impactar cada vez mais pessoas e empresas por meio de experiências transformadoras.

Contrabalançar tantas “carreiras” não é fácil. É uma conquista diária atender todos os compromissos profissionais e pessoais, incluindo os das crianças e os do marido, que também tem seu trabalho e suas demandas.

Acordar cedinho, combinar com a secretária da casa o que cozinhar para almoço e janta, fazer o café da manha da turma, arrumar os lanchinhos do colégio, levar para inglês, proferir uma palestra, buscar no bale, almoçar com um cliente ou em casa (sempre um dilema), xiii esqueci de fazer a escova no cabelo…, levar a galera para o colégio, chegar para outra reunião, ir para o escritório atender um coachee e a noite ministrar um workshop power!!

Chegar em casa as 22h e dormir? Claro que não!! Tem temas para revisar, banho para tomar e um maridão que já serviu janta para os filhotes e que também quer conversar sobre como foi o dia dele. Essa é a minha rotina. Imagino ainda aquelas Brasileiras que não tem ninguém para auxiliar nos serviços domésticos e um marido para dividir as responsabilidades e multiplicar o amor…

98 HORAS POR SEMANA. Tudo isso?!

Nós, brasileiras, não estamos sozinhas nessa jornada! Um estudo encomendado pela empresa norte-americana Welch’s levantou que as mães trabalham, em média, 98 horas semana, entre o emprego e as tarefas domésticas. Foram consultadas duas mil mulheres com filhos entre cinco e 12 anos de idade. A “escala” das mães pesquisadas começa por volta das 6h23 e termina só depois das 20h30.

Então, ao se sentir constantemente cansada, com sono e com uma lista interminável de tarefas diárias, lembre-se que “estamos juntas”! Nessa hora, me vem a mente 2 opções: sentir culpa por não dar conta de tudo e que não sobrou tempo para mais nada OU me lembrar do aprendizado que tive com a pediatra (você primeiro), rir de mim mesma, respirar fundo e chamar a turma para pagar junto! Sim, os filhotes também devem ter as suas responsabilidades.

Foi-se o tempo que o papel da mulher só poderia ser o de cuidar do lar e da criação dos filhos – na verdade, claro que pode ser, desde que seja uma decisão dela. Inclusive esse é o tema de uma palestra que eu amo ministrar: “Mulher sim! Amélia, se eu quiser”.

VOLTANDO PARA A ROTINA

O que sobra no final de um dia? Para algumas mulheres, CULPA. Acreditam que poderiam ter feito melhor, que deveriam ter entregue mais ou que faltou alguma coisa. Eu deito com uma sensação de REALIZAÇÃO, consciente que quando algo não saiu exatamente como eu queria, terei uma segunda chance. Se ela não vier, era por que não era para ser. Aprendi que buscar fazer sempre o meu melhor me deixa em paz com os meus sentimentos e aceitar que nem tudo sai como planejei possibilita desenvolver diariamente a minha resiliência.

Outra coisa que eu sempre penso é que meus filhos não precisam de uma mãe IDEAL: aquela que só existe em nossos pensamentos, que nunca erra, mega tranquila, que sempre está com muita paciência e tempo. Eles necessitam de mãe REAL: que as vezes se atrasa para buscá-los na escola, que enche eles de beijo quando acordam de manhã e que também repreende, sem medo nem culpa, quando fazem algo errado. Com isso ensina a sua prole que a vida é uma conquista diária e que frustração e realização são sentimentos diferentes e necessários na formação da personalidade.

Estar consciente de tudo isso e me aceitar nessa condição de ser vulnerável me dá muita paz! Aqui fica um convite para que as demais mamães espiem a vida por esse prisma.

Fazer escolhas faz parte da nossa vida. Acredito que nós, mulheres, aprendemos desde cedo a incluir possibilidade e não excluir opções. O que para mim realmente é importante é termos claro que todas queremos deixar um legado e isso não tem a ver apenas com a maternidade. Ele é fruto das pisadas que deixamos por onde passamos, das pontes e conexões que criamos e com os inúmeros papeis que ocupamos na vida que Deus nos brindou!

Então, neste Dia das Mães, relaxe e curta o domingo com os seus filhos. Tenha certeza de que, ao priorizar e cuidar de si própria como pessoa e como profissional, você estará contribuindo e muito para o presente e para o futuro da nossa humanidade.

VALE UMA PALESTRA?

Não, não escrevi este artigo para oferecer uma palestra. Mas eis que ao escreve-lo nasceu uma vontade para o mês das mães do ano que vem. Deixe nos comentários o que você acha, quais tópicos poderiam ser abordados e tudo mais.

E Feliz Dia das Mães REAIS!